domingo, 12 de julho de 2009


CARAMELO


Quase sempre o cinema fala do Oriente Médio para relatar suas tensões políticas, suas guerras sem fim e suas intrincadas disputas religiosas. Por meio destes cenários, nos acostumamos a atribuir uma espécie de singularidade a esta região, marcada pela violência e pela desarmonia de culturas.

A cineasta Nadine Labaki mostra em CARAMELO uma Beirute surpreendente em muitos aspectos. Contando as histórias de um grupo de amigas em tono de um salão de belezas, a diretora, que também atua no filme, põe em cena as regras restritivas daquela cultura e, ao mesmo tempo, mostra o florescer de uma sociedade moderna, povoada de indivíduos com seus dramas universais, que poderiam habitar outras cidades do mundo.

Uma destas mulheres, Rima, é uma jovem lésbica que se envolve romanticamente com uma cliente. O salão é personagem à parte na história e constantemente vemos que sua rotina ganha significados diferentes, conforme vivida por cada uma das personagens. O simples gesto de lavar os cabelos, por exemplo, substitui o tom prático pelo sensual, quando encenado por Rima e seu objeto de desejo.

Um belo passeio por uma cidade tão desconhecida, guiado pelo olhar interessante de Nadine Labaki.
CARAMELO (SUKKAR BANAT)
França/Líbano (2007) - 95 min.
ELENCO: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisele Aouad, Adel Karam, Sihame Haddad

domingo, 28 de junho de 2009


PENSAR, VER FILMES...

Está rolando na Caixa Cultural da Av. Chile, todos os sábados de manhã, o curso A HISTÓRIA DA FILOSOFIA EM 40 FILMES. Sábado 06 de Junho estive lá e adorei o filme Blow Up e também a discussão levantada pelo professor Patrick. O dia começou frio, mas a tarde veio me lembrar o que é o inverno carioca: você sai de casa cedo, todo encasacado, para morrer de calor poucas horas depois.

E o dia foi assim:

BLOW UP, de ANTONIONI

Este filme é de 1966 e é uma adaptação livre do conto “As babas do diabo”, de Cortázar. Como o entende Antonioni, é a história de um fotógrafo de sucesso na Swinging London, que ganha muita grana, mas que vive entediado e sem rumo no mundinho das celebridades. Wilco, o fotógrafo, é arrancado de seu estado de torpor ao fotografar um casal em um parque e ser perseguido pela mulher que exige a devolução do filme. Intrigado, ele amplia as fotografias e acredita ver, entre os arbustos do parque, um homem armado. Cria então, uma história de um crime e abre-se a discussão sobre a relação entre realidade e interpretação.

O professor mostrou dois momentos da história da filosofia: o realismo e o idealismo. No primeiro, entende-se que a realidade existe em si mesma e pode ser conhecida pelo homem (especialmente por meio da filosofia). No segundo, há um reconhecimento do papel da subjetividade no processo de conhecimento da realidade, que deixa de ser uma esfera autônoma e independente. O idealismo, porém, tem em comum com o materialismo a noção de que existe algo de transcendente na relação sujeito-objeto. Para o materialismo, a realidade transcende o sujeito e, portanto, há uma só verdade a ser apreendida por todos os sujeitos. Para o idealismo, é o sujeito o elemento transcendente, há uma essência na racionalidade humana, que confere a todos os sujeitos um só modo de conhecer.

Até este momento na história da filosofia, pelo que pude entender, há um centro que amarra a relação sujeito-realidade. A partir de Nietzsche, porém, este centro se desmancha na direção de um perspectivismo que afirma que o mundo pode receber múltiplas significações, já que não há nenhuma verdade embutida na realidade, nem no sujeito humano. Embora isto promova, por um lado, uma tremenda libertação, por outro causa profunda desorientação, já que nada mais possui significados fixos e, portanto, tudo pode significar qualquer coisa. E é sobre esta tensão entre liberdade e desorientação que trata o filme. E esta seria a condição do homem na modernidade.

Há uma frase famosa de um livro que nunca li, que afirmava: “se deus está morto, tudo é permitido”. A frase passou a simbolizar o fim de qualquer transcendência capaz de garantir ao homem uma condição fixa e estável. No filme, esta experiência, sentida na carne por Wilco, é radicalizada, já que nem a fotografia, com toda a sua promessa de retratar fielmente a realidade, é capaz de retirar o personagem de sua tensa condição moderna. Ao contrário, é ela quem atira Wilco em uma situação em que se vê sozinho com seus próprios filtros interpretativos, que não o permitem encontrar “a verdade”, nem mesmo ligá-lo de modo definitivo a outros sujeitos. Esta ligação, quando ocorre, é nitidamente precária e limitada a breves momentos nos quais uma fugaz comunidade de sentidos se forma, como mostra uma cena linda, linda, de uma partida de tênis disputada por mímicos que convidam Wilco a apanhar “a bola que caiu do outro lado da quadra”.

Você a pegaria?

domingo, 7 de junho de 2009


Ai, Que Saudades da Amélia
De Ataulfo Alves e Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência / Nem fazer o que você me faz / Você não sabe o que é consciência / Nem vê que eu sou um pobre rapaz / Você só pensa em luxo e riqueza / Tudo o que você vê, você quer / Ai, meu Deus, que saudade da Amélia / Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado / E achava bonito não ter o que comer / Quando me via contrariado / Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!" / Amélia não tinha a menor vaidadeAmélia é que era mulher de verdade

Afinal, o que tem esta letra que torna esta personagem o símbolo supremo da mulher submissa?
Quem é o oposto da Amélia?
Quem só pensa em luxo e riqueza
Quem quer tudo aquilo que vê
Quem não quer saber de amor quando as coisas apertam

A anti-consumista, que acredita no amor acima do materialismo, está exatamente contra o senso comum de nossa época.

Está errada a Amélia?

segunda-feira, 25 de maio de 2009


MOSTRA FEMINA NO ODEON


Sexta-feira, 20/09, às 21hs tem Cineclube LGBT no Cinema Odeon Petrobras (Cinelândia/RJ), que desta vez exibirá o Programa Especial FEMINA com cinco curtas-metragens de diferentes países, abordando as percepções de mulheres sobre a sexualidade.


Os curtas exibidos serão:


- Dias Brancos (de Débora Giammarini - Argentina)
- Minha primavera com salto (de Viva Delorme - França)
- Dançando para a Felicidade (de Barbara Seiler - Suíça)
- Twende (de Lindsay Sanner - Noruega)
- Homo Baby Boom (de Anna Boluda - Espanha)


29/05/09 - 21 hs
CINE ODEON PETROBRAS - Cinelândia/RJ
R$10 (inteira) e R$5 (meia)
Ingressos antecipados a partir de terça, 26/5, na bilheteria do cinema ou pelo site http://ingresso.com.br

domingo, 26 de abril de 2009


Bacaníssimas jam sessions andam rolando às sextas-feiras em frente à banca do blues (Rio Branco esquina com Presidente Wilson).

A banda desta sexta escancarou a música boa. Quem passou por perto não resistiu ao som.

Ouvir blues sexta à noite, ao ar livre, no Rio de Janeiro, é um deleite raro.

Mirei a fumaça se desfazer, curti a cerva e pensei em uma ausência.

Só não pode chover...

sábado, 4 de abril de 2009


Quando dói o amor
É um veneno
Tão lento a comer o sangue
Como se o remédio estivesse do outro lado do mundo


sexta-feira, 3 de abril de 2009

OUTROS FILMES DO BFI 2009

Steam

Três histórias entrelaçadas de três diferentes mulheres: uma estudante (Kate Siegel) que entra em conflito com a família quando se apaixona pela primeira vez por uma mulher, uma mãe (Ally Sheed) que disputa a custódia do filho com o ex-marido e uma viúva (Ruby Dee) redescobrindo a vida amorosa .

EUA (2008) - 117 min - Direção de Kyle Schickner