sábado, 26 de setembro de 2009

OUTRAS DICAS DO FESTIVAL

O novo de Lucía Puenzo (diretora de XXY), um brasileiro e um chileno especialmente garimpados:

O MENINO PEIXE
Direção: Lucía Puenzo
Argentina (2009) - 96 min.

Lala, moradora de um dos bairros mais ricos de Buenos Aires, se apaixona loucamente pela jovem empregada de seus pais, a paraguaia Guayi. Juntas elas fazem planos de ir morar no Paraguai, à beira do lago Ypoá, e começam a roubar tudo o que veem pela frente, guardando as economias numa caixa de sapatos. Quando a caixa enche, sentimentos desagradáveis como a raiva, a inveja e o ciúme começam a aflorar. Mas este é apenas o ponto de partida para uma fuga que as leva para a grande estrada que liga o norte da Argentina ao Paraguai, onde acontecimentos inesperados as aguardam.
Quando passa:
Domingo - 04/10/2009 - Espaço de Cinema 2 - 12:15:00 hs
Domingo - 04/10/2009 – Espaço de Cinema 2 – 19:00:00 hs
Segunda - 05/10/2009 – Est Barra Point 1 – 22:30:00 hs
Terça - 06/10/2009 – Cine Santa – 21:00:00 hs
Quarta - 07/10/2009 – Estação Ipanema 1 – 15:15:00 hs
Quarta - 07/10/2009 – Estação Ipanema 1 – 19:45:00 hs
HISTÓRIAS DE AMOR DURAM APENAS 90 MINUTOS
Direção: Paulo Halm
Brasil / Argentina (2009) - 90 min.
Zeca, jovem escritor, às voltas com romance que não consegue escrever, vive no mais profundo ócio. Tem 30 anos, mas age como se fosse um adolescente. É talentoso, mas dispersivo: escreve duas frases e logo desiste. Casado com Julia, vive crise de relacionamento, provocada pela forma antagônica com que vêem a vida: Zeca não quer nada, Julia sabe o que quer. Zeca é infeliz, porém conformado. Até o dia que começa a acreditar que Julia o está traindo. E para seu espanto, com outra mulher.
Quando passa:
Sábado - 03/10/2009 – Odeon Petrobras – 21:30:00 hs
Domingo - 04/10/2009 – Odeon Petrobras -l 13:00:00 hs
Segunda - 05/10/2009 – Est Vivo Gávea 3 - 15:40:00 hs
Segunda - 05/10/2009 – Est Vivo Gávea 3 - 22:10:00 hs
NAVIDAD
Direção: Sebastian Lelio
Chile / França (2009) - 103 min.
Alejandro tem 17 anos e namora Aurora, de 18. Eles decidem passar o Natal juntos na casa abandonada da família de Aurora, no sopé dos Andes. Mas o relacionamento dos dois tem sido perturbado por constantes desentendimentos. Alejandro se sente frustrado em relação à própria vida, e Aurora está em crise com sua sexualidade. Quando o rompimento parece a única solução, o casal é surpreendido por Alicia, adolescente de 16 anos que fugiu de casa. Simultaneamente, Alejandro e Aurora se veem atraídos pela intrusa. Quinzena dos Realizadores de Cannes 2009.
QUANDO PASSA:
Sexta - 25/09/2009 - Espaço de Cinema 1 - 21:15:00 hs
Domingo - 27/09/2009 - Est Vivo Gávea 4 - 13:20:00 hs
Domingo - 27/09/2009 - Est Vivo Gávea 4 - 19:50:00 hs
Terça - 29/09/2009 - Est Barra Point 1 - 16:00:00 hs
Quinta - 01/10/2009 - Estação Ipanema 1 - 19:15:00 hs
Sábado - 03/10/2009 - Cine Santa - 19:00:00 hs

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

DIAS DE FESTIVAL DO RIO

CHUVA, de Paula Hérnandez
No Estação Vivo Gávea


Chuva foi bem forte pra mim. Alma, a protagonista, era tão parecida fisicamente com minha primeira namorada... E, nesta fase em estou, vendo alguém de quem tanto gosto partir, que filme de amor não me acertaria em cheio?

Compartilhei da estranheza e do interesse da situação de Alma e Roberto, dois desconhecidos que se cruzam em uma noite chuvosa de Buenos Aires. No escurinho da sala, me deixei embalar pelo prazer das descobertas e por outros momentos mágicos e fugidios daqueles dois personagens que conseguiram até brigar no curto período em que estiveram juntos.

Alma e Roberto, além de comprometidos, estavam em momentos extremamente difíceis de suas vidas emocionais. Os dois, porém, conseguiram compartilhar de modo intenso estas singularidades de suas vidas. De modo intenso e breve, tal e qual uma torrente de chuva.

No final, não pude deixar de perceber que o filme cita (ou, quem sabe, chupa descaradamente) Antes do Amanhecer, na cena em que a câmera passeia nostálgica pelos lugares vazios onde os personagens estiveram juntos. Cena que, chupada ou não, é de sacudir o coração.

O MARAVILHOSO MUNDO DA LAVANDERIA, de Hans Christian Schmidt
No Estação Vivo Gávea

Este filme me fez lembrar imediatamente do poema do Brecht, Perguntas de um operário letrado (“Na noite em que se terminou a muralha da China, para onde foram os operários da construção?). Como se fizesse pergunta semelhante, o filme vai atrás das vidas ordinárias de mulheres pobres polonesas que lavam as roupas de cama e mesa de hotéis luxuosos de Berlim.

Os relatos destas trabalhadoras, que parecem ter perdido a expectativa de uma vida melhor, contrastam de modo chocante com o discurso dos donos da lavanderia, que exibem a racionalidade crua da busca da eficiência nos negócios (“Nenhuma mulher na Alemanha aceitaria trabalhar nestas condições por este salário, então vamos até onde os custos da mão-de-obra são mais competitivos”). Tão clean assim, nem mesmo os lençóis lavados pelas moças...

domingo, 20 de setembro de 2009

FESTIVAL DO RIO 2009
O Festival do Rio deste ano está com uma fraquíssima seleção de filmes de interesse lés. Dos 12 que passam na mostra MUNDO GAY, somente 1 é francamente dirigido às meninas, GHOSTED, de Monika Treut.

Fora isto, só fuçando a programação em busca de otras cosas interessantes. É o caso de MATADORES DE VAMPIRAS LÉSBICAS, de Phil Claydon, que passa na mostra MIDNIGHT MOVIES e de ERÓTICA AVENTURA, de Jean Claude Brisseau, na mostra PANORAMA DO CINEMA MUNDIAL.

GHOSTED
DIREÇÃO: Monika Treut
Alemanha/Taiwan (2009) – 89 min.
Com Inga Busch, Huan-Ru Ke, Ting-Ting Hu

A vida emocional da artista Sophie Schimtt se complica quando sua namorada taiwanesa Ai-ling morre subitamente em estranhas circunstâncias. Sophie viaja até Taipei para expor uma obra feita em homenagem à namorada e lá conhece Mei-li, uma jornalista que investiga secretamente a morte de Ai-ling.

A diretora do filme, Monika Treut, tem uma interessante produção independente de vídeos que abordam gênero e sexualidade, como Annie, Dr. Paglia, Bondage e Didn’t do it for Love, reunidos na coletânea FEMALE MISBEHAVIOR (1992), dedicada a mulheres que, com comportamentos não-conformistas desafiaram estereótipos e quebraram tabus sexuais. Monika Treut esteve no Brasil no início dos anos 2000, quando rodou “Guerreira da Luz”, documentário sobre a luta da artista plástica Yvonne Bezerra de Mello pelos menores de rua.

Ghosted está na mostra MUNDO GAY do FESTIVAL DO RIO nas seguintes datas:

Sábado - 26/09/2009 – Estação Ipanema 2 (22:50hs)
Domingo – 27/09/2009 – Estação Barra Point 2 (20:15hs)
Segunda – 28/09/2009 – Estação Botafogo 1 (23:59 hs)
Quarta – 30/09/2009 – Cine Glória(14:00 hs e 18:00 hs)

Programação completa em:
http://www.festivaldorio.com.br

quarta-feira, 26 de agosto de 2009


MOSTRA DE ANIMAÇÃO LGBT


A Íris - Mostra Internacional de Animação LGBT é destinada exclusivamente a exibição de filmes de animação, brasileiros e estrangeiros, com temática relacionada a diversidade sexual: gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais.


Foram selecionados 21 filmes de animação de curta metragem de diversos países: Brasil, África do Sul, Austrália, Bulgária, Canadá, Dinamarca, EUA, França, Países Baixos, Reino Unido, Suécia e Turquia.


Os filmes estão em dois programas (Programa 1 e Programa 2) e serão exibidos durante as 3 primeiras terças feiras do mês de setembro de 2009 (01/09, 08/09 e 15/09) em duas sessões diárias (19:00 e 20:30).


A Íris - Mostra Internacional de Animação LGBT acontecerá no cinema do CCJF - Centro Cultural Justiça Federal que fica na Avenida Rio Branco, 241, Centro, Rio de Janeiro. O ingresso custará R$ 6,00 (inteira) e 3,00 (meia).


Confira os filmes selecionados e todas as informações da mostra no www.mostrairis.com.br

domingo, 12 de julho de 2009


CARAMELO


Quase sempre o cinema fala do Oriente Médio para relatar suas tensões políticas, suas guerras sem fim e suas intrincadas disputas religiosas. Por meio destes cenários, nos acostumamos a atribuir uma espécie de singularidade a esta região, marcada pela violência e pela desarmonia de culturas.

A cineasta Nadine Labaki mostra em CARAMELO uma Beirute surpreendente em muitos aspectos. Contando as histórias de um grupo de amigas em tono de um salão de belezas, a diretora, que também atua no filme, põe em cena as regras restritivas daquela cultura e, ao mesmo tempo, mostra o florescer de uma sociedade moderna, povoada de indivíduos com seus dramas universais, que poderiam habitar outras cidades do mundo.

Uma destas mulheres, Rima, é uma jovem lésbica que se envolve romanticamente com uma cliente. O salão é personagem à parte na história e constantemente vemos que sua rotina ganha significados diferentes, conforme vivida por cada uma das personagens. O simples gesto de lavar os cabelos, por exemplo, substitui o tom prático pelo sensual, quando encenado por Rima e seu objeto de desejo.

Um belo passeio por uma cidade tão desconhecida, guiado pelo olhar interessante de Nadine Labaki.
CARAMELO (SUKKAR BANAT)
França/Líbano (2007) - 95 min.
ELENCO: Nadine Labaki, Yasmine Elmasri, Joanna Moukarzel, Gisele Aouad, Adel Karam, Sihame Haddad

domingo, 28 de junho de 2009


PENSAR, VER FILMES...

Está rolando na Caixa Cultural da Av. Chile, todos os sábados de manhã, o curso A HISTÓRIA DA FILOSOFIA EM 40 FILMES. Sábado 06 de Junho estive lá e adorei o filme Blow Up e também a discussão levantada pelo professor Patrick. O dia começou frio, mas a tarde veio me lembrar o que é o inverno carioca: você sai de casa cedo, todo encasacado, para morrer de calor poucas horas depois.

E o dia foi assim:

BLOW UP, de ANTONIONI

Este filme é de 1966 e é uma adaptação livre do conto “As babas do diabo”, de Cortázar. Como o entende Antonioni, é a história de um fotógrafo de sucesso na Swinging London, que ganha muita grana, mas que vive entediado e sem rumo no mundinho das celebridades. Wilco, o fotógrafo, é arrancado de seu estado de torpor ao fotografar um casal em um parque e ser perseguido pela mulher que exige a devolução do filme. Intrigado, ele amplia as fotografias e acredita ver, entre os arbustos do parque, um homem armado. Cria então, uma história de um crime e abre-se a discussão sobre a relação entre realidade e interpretação.

O professor mostrou dois momentos da história da filosofia: o realismo e o idealismo. No primeiro, entende-se que a realidade existe em si mesma e pode ser conhecida pelo homem (especialmente por meio da filosofia). No segundo, há um reconhecimento do papel da subjetividade no processo de conhecimento da realidade, que deixa de ser uma esfera autônoma e independente. O idealismo, porém, tem em comum com o materialismo a noção de que existe algo de transcendente na relação sujeito-objeto. Para o materialismo, a realidade transcende o sujeito e, portanto, há uma só verdade a ser apreendida por todos os sujeitos. Para o idealismo, é o sujeito o elemento transcendente, há uma essência na racionalidade humana, que confere a todos os sujeitos um só modo de conhecer.

Até este momento na história da filosofia, pelo que pude entender, há um centro que amarra a relação sujeito-realidade. A partir de Nietzsche, porém, este centro se desmancha na direção de um perspectivismo que afirma que o mundo pode receber múltiplas significações, já que não há nenhuma verdade embutida na realidade, nem no sujeito humano. Embora isto promova, por um lado, uma tremenda libertação, por outro causa profunda desorientação, já que nada mais possui significados fixos e, portanto, tudo pode significar qualquer coisa. E é sobre esta tensão entre liberdade e desorientação que trata o filme. E esta seria a condição do homem na modernidade.

Há uma frase famosa de um livro que nunca li, que afirmava: “se deus está morto, tudo é permitido”. A frase passou a simbolizar o fim de qualquer transcendência capaz de garantir ao homem uma condição fixa e estável. No filme, esta experiência, sentida na carne por Wilco, é radicalizada, já que nem a fotografia, com toda a sua promessa de retratar fielmente a realidade, é capaz de retirar o personagem de sua tensa condição moderna. Ao contrário, é ela quem atira Wilco em uma situação em que se vê sozinho com seus próprios filtros interpretativos, que não o permitem encontrar “a verdade”, nem mesmo ligá-lo de modo definitivo a outros sujeitos. Esta ligação, quando ocorre, é nitidamente precária e limitada a breves momentos nos quais uma fugaz comunidade de sentidos se forma, como mostra uma cena linda, linda, de uma partida de tênis disputada por mímicos que convidam Wilco a apanhar “a bola que caiu do outro lado da quadra”.

Você a pegaria?

domingo, 7 de junho de 2009


Ai, Que Saudades da Amélia
De Ataulfo Alves e Mário Lago

Nunca vi fazer tanta exigência / Nem fazer o que você me faz / Você não sabe o que é consciência / Nem vê que eu sou um pobre rapaz / Você só pensa em luxo e riqueza / Tudo o que você vê, você quer / Ai, meu Deus, que saudade da Amélia / Aquilo sim é que era mulher

Às vezes passava fome ao meu lado / E achava bonito não ter o que comer / Quando me via contrariado / Dizia: "Meu filho, o que se há de fazer!" / Amélia não tinha a menor vaidadeAmélia é que era mulher de verdade

Afinal, o que tem esta letra que torna esta personagem o símbolo supremo da mulher submissa?
Quem é o oposto da Amélia?
Quem só pensa em luxo e riqueza
Quem quer tudo aquilo que vê
Quem não quer saber de amor quando as coisas apertam

A anti-consumista, que acredita no amor acima do materialismo, está exatamente contra o senso comum de nossa época.

Está errada a Amélia?